sábado, agosto 21

Preto

o couro do tambor exprime a dor dos negros, ao ver os dedos quase proximos de mais uma batida, mais o som alcança uma nota nunca atingida, uma força tingida regada a melanina,
uma cor que combina com tudo e sempre saí por cima, no Sol, no corpo, saúde de sobra e na dobra ali na porteira já se ouve o batuquê do agogô é a voz de couro vinda de um nego vô, já de barba branca e sua atitude branda que aprendeu a dança luta, luta dança, nega do banza que fuma um charuto e não cansa, seu pulmão é forte junto com sua trança, segue também o rebolado bela morena na dança, dos restos da festa de seus patrões ontem fizeram feijoada de janta e a criança? Pretinha de pé descalço casca dura de aço, correndo sentindo do calor um mormaço e no frio a falta de um abraço, foi triste a sua trilha de tempos atrás e décadas sem paz, pessoas que se dizem inteligentes ou até sagaz, que foram desses negros o tal "capataz" tem até filme sobre essa cultura hoje em cartaz, mas nunca serão perdoados aqueles acham que foi certo essas atitudes dessa gente, pessoas más.