quinta-feira, fevereiro 24

cabelo vermelho, eu to crescendo.

Cabelo Vermelho

Não entendia o mundo como entendo agora... Pois agora entendo que nunca vou entender realmente o que é o mundo!
Já tinha até percebido no horário de verão passado que ser criança é muito mais vantajoso do que ser adulto, ponto. É onde eu queria chegar...

A gente na vida, nunca se entende e nunca sabe o que quer, não é?
Se for inteligente suficiente não precisa nem responder.

Quando eu era criança sonhava em ter uma vida como a dos meus pais, pelo menos "eu" sonhava assim, uma vida de contas pra pagar e de responsabilidades a cumprir, de escolhas e escolhas como encher o carrinho do supermercado com coisas que você mesmo escolheu, "fazer mercado"...
Não que eu não queira, ou não goste da idéia de ter uma vida de responsabilidades hoje... Mas isso não é pra agora, e daqui a pouco você vai entender...

Quando criança não temos a preocupação de pensar o que nossos pais pensam sobre a gente, pelo menos eu não me lembro de me preocupar com o que meu pai ou minha mãe pensavam sobre a vida ou sobre mim, eu achava interessante tudo o que eles faziam, mas não me preocupava, isso é fato;

Mas, o sonho do pai ao olhar o filho brincando é do mesmo tamanho que a nossa vontade de criança, de ser um "tomador de café" um "engravatado", rico! Pelo menos como homem eu tinha/tenho esse sonho, essa ilusão do que é trabalho... Pra mim os pais podiam comprar o mundo, todos os brinquedos, todas as comidas, tudo o que há de melhor, qualquer coisa! "Que inveja dos olhos dessa criança", é o que o meu pai sentia, pelo menos é o que minha preocupação de hoje diz, ao olhar nos olhos dessa criança sem humildade da época.

Lembra da responsabilidade? Então, são esses olhos de criança, esse olhar infantil, que me fazem e fizeram persistir, que dão força a minha caminhada de seguir a vida com a minha responsabilidade... Pelo menos comigo funciona. Não sei com você.
Mas me frustro ao ver esses olhos crescendo, o sonho se esvaindo, tudo tendo nome, tudo tachado, tudo vigiado e quando ficamos adultos nossos pais deixam de ser chatos e o mundo inteiro cobra muito mais de nós, muito mais do que arrumar a própria cama...

É triste perceber Cabelo Vermelho, que a menor dor e a maior dor, são dores do mesmo tamanho, são iguais, a mesma métrica e que sua tristeza nunca será maior que a minha e nem a minha maior a sua,sempre pra você será a sua, a maior e a pior de todas as dores que já existiu na face da Terra, mas a minha será maior pra mim, e assim conseqüentemente...
Quem perde um souvenir ou perde uma pessoa conhecida, são dores iguais de uma forma diferente de demonstrar, o número de lágrimas é diferenciado mas a dor é idêntica,e olhando pra isso somos tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo, é dificil de saber se tudo é tão complicado ou tudo muito simples, e tem gente que diz que são os dois ao mesmo tempo, eu ainda acredito no mais, aprendi que pecar por excesso não é tão ruim.

Digo tudo isso por que hoje somos adultos, cabelo vermelho, pelo menos eu estou tendo que ser. Não sei você, não sei de você, mais sobre você, as vezes eu prefiro.

os valores são escolhidos pelas pessoas adultas e as crianças valorizam, a criança é o verbo do adulto, que fato, é uma ciência. E isso vai dar um outro texto sobre o que é ser ciência, é fácil de entender a metáfora, talvez não tenha ficado tão boa, mas é fácil, depois, um dia, você vai ler sobre isso.

E te escrevendo, eu ouvi uma frase que sintetizou muita coisa do que eu escrevi aqui...
Lenine disse em "todos os caminhos": "o certo é que eu não sei ao certo o que virá e eu só posso te pedir, não leve o nunca tão a sério, que a vida é só uma parte de todo mistério"

o universo fica pequeno dentro dessa frase né?

"meus olhos de criança olham pra ti, quando olho pra vida e reflito dentro de mim, lembro que já me olhei em tanto olhos que as vezes fico sem foco, mas o que eu lembro mais são dos teus olhos cheios de lágrima e sem foco também, e a sua criança estava olhando pra onde? Pra quem? Até hoje eu não sei, mas é um detalhe que não convém...

Enquanto eu lia que "o amor de verdade é se entregar" eu comecei a me lembrar mais ainda, um dejavu de uma coisa que nem tinha acontecido, que eu não poderia beijar mais uma vez outra pessoa que não ia me amar... Não via no beijo uma oportunidade, eu enxergava uma vida...

Os meus olhos foram cegados pelo meu próprio medo de criança de ser ferido, por que ali eu tinha vontade de ser adulto e qual adulto gosta de ser machucado?
Não posso culpar a vida e muito menos pedir desculpas a ela, só tenho que me entender e entender ela cada vez mais.
Eu antes achava seu cabelo vermelho simplesmente bonito, hoje eu consigo ver no seu cabelo vermelho uma piada pro mundo, um diferencial que muitas tentam mas em você simplesmente pega! E é.
Eu não esqueci dos meus sonhos e estou trabalhando pra comprar meu Maverick amarelo com listras pretas,banco de couro e a jaqueta de couro também, pra daí poder ver teu cabelo vermelho passeando pelo mundo todo, realizar sua criança e pra não esquecer que o nunca é demais e nem levar ele tão a sério assim eu ainda espero sentado de corpo e alma... só estou esperando te ver só, pra mandar um bilhete no guardanapo em uma lanchonete, te chamando pra fugir, nos entregarmos pro mundo."


linda.
beijo.

sexta-feira, novembro 5

Sabiá canta pro meu pensamento.

Um dilúvio imaginário escorre da torneira do passado afogando a magoa que um dia dormiu do meu lado nostalgia é o feitiço que o mago da tristeza nos deixou e a seca dos meus pensamentos era culpa do tempo árido do “de certo” que mantinha vivo o meu medo de errar, uma manjedoura de culpa dentro do encéfalo, que só tinha vontade de gritar.

segunda-feira, novembro 1

Influência

Quando eu era mais novo achava que uma banda por ter "influência" de outra era obrigatoriamente para ser parecido o som, como chimarruts falar que tem influência de bob marley, não significa ser um reggae raiz, a influência é a parte de um todo, o começo de algo e não o fim de tudo, então a influência é algo que pode morrer durante os anos então deixe ser influenciado por coisas que irão te levar a caminhos que você ainda não conhece, pra um dia poder dizer que você não gosta de alguma coisa.

É do avesso?

- Vai usar essa camiseta do avesso mesmo?

- Não, é minha...




haha (:

quarta-feira, setembro 8

Herói?

Eles querem me deixar realmente fortes? Ou querem me mostrar que são mais fortes por poder me dar força?
Talvez um tipo de insulto a minha inteligência emocional.

Hoje eu assistindo um filme do 007 o que achei sempre muito "cafona" mas com o tempo de sobra e a falta do que assistir na TV... Olhei com carinho para aquele homem, que me dizia "Quando nos tornamos adultos começa a ficar mais difícil diferenciar os super heróis dos vilões por isso não podemos confiar em ninguém..."
Eu sou herói ou vilão?

sábado, agosto 21

Preto

o couro do tambor exprime a dor dos negros, ao ver os dedos quase proximos de mais uma batida, mais o som alcança uma nota nunca atingida, uma força tingida regada a melanina,
uma cor que combina com tudo e sempre saí por cima, no Sol, no corpo, saúde de sobra e na dobra ali na porteira já se ouve o batuquê do agogô é a voz de couro vinda de um nego vô, já de barba branca e sua atitude branda que aprendeu a dança luta, luta dança, nega do banza que fuma um charuto e não cansa, seu pulmão é forte junto com sua trança, segue também o rebolado bela morena na dança, dos restos da festa de seus patrões ontem fizeram feijoada de janta e a criança? Pretinha de pé descalço casca dura de aço, correndo sentindo do calor um mormaço e no frio a falta de um abraço, foi triste a sua trilha de tempos atrás e décadas sem paz, pessoas que se dizem inteligentes ou até sagaz, que foram desses negros o tal "capataz" tem até filme sobre essa cultura hoje em cartaz, mas nunca serão perdoados aqueles acham que foi certo essas atitudes dessa gente, pessoas más.

quarta-feira, junho 30

será?

As estruturas derretem-se com luzes brilhando o dobro do seu valor e eu não vejo figura convencional alguma, as coisas parecem fora do lugar, mas será que estão? Eu já disse num texto atrás que temos a visão invertida, enxergamos o teto no chão e o chão no teto e ainda sim acreditamos que andamos num lugar seguro... O que é certo? O que é convencional?
Podem estar tantas pessoas erradas seguindo um padrão do que é errado? Ou será que sou uma parte mínima de um grupo no meio de tantos outros pequenos grupos, errando?
Errado é certo, será?
Vou deixar de fazer a minha vontade, pra deixar outras pessoas felizes, porque?