quinta-feira, janeiro 7

outro lamento.

Eu era menino quando via os casais apaixonados, pai e mãe, tio e tia, cachorro e cadela, sentia que era só eu que não beijava...
Pensava eu, que nada me queria, que eu era ruim demais pra alguém, até que me apaixonei pela primeira vez...
Consegui me pintar em ouro pra chamar sua atenção e até que enfim ela me olhou nos olhos e vi que alguém realmente me queria...
Como tão fácil foi ficar com quem eu tinha me apaixonado primeiro, tão fácil foi, partiu, ela era do bordel e eu era da seresta... Seu apelido que me lembro era souvenir, então era somente pra ser usada e tão pouco mais...
Não conseguia enxergar meus dedos por conta das lágrimas que embrulhava as imagens das fotos dela que iam caindo pelo chão sujo, onde eu estava deitado esfriando meu corpo quente...
Mêses se passaram e minha mente se distorcia atrás da sombra dela, mas a busca era falha, e minha mente continuava a se distorcer e eu comecei a crer que só eu tocava bolero, sozinho pra eu dançar, e meu corpo já não sabia quem mais amar...
O amor pela primeira vez e a dor junto veio de brinde...
Eu não quis mais apostar e as vezes que apostei, peguei minhas fichas de volta e quem jogava junto comigo não aceitava bem a minha recuada...
Mas quem vai entender a dor de quem amou e não foi amado? Todo mundo entende...
Penso que a vida é como um documentário de discovery channel, " A vida do ser humano " com um cara de macacão bege cheio de bolsos com uma camera analógica tirando fotos e fazendo comentários sobre os comportamentos comuns da espécie, e creio que a paixão e a dor são comum de todos da espécie e fazem parte do mesmo capitulo...